Google Gemini desafia o GPT 4 no mercado

Em 15 de setembro de 2023, uma reportagem apontou que o Google (Alphabet) começou a liberar uma versão inicial do Gemini, seu software de IA conversacional, para um grupo pequeno de empresas. A aposta era clara, encostar no patamar do GPT-4 e transformar essa tecnologia em base para produtos e serviços corporativos.

Por que o Gemini virou prioridade no Google

O Gemini foi concebido como uma família de modelos de linguagem de grande porte para competir diretamente com o GPT-4 e, ao mesmo tempo, servir como “motor” para diferentes experiências, de chatbots a recursos de geração e resumo de texto. Em outras palavras, não era só um chatbot, era uma plataforma de modelos.

Segundo a reportagem, a lógica era acelerar a resposta do Google ao avanço da IA generativa no mercado consumidor e corporativo, depois do impacto do ChatGPT no fim de 2022.

O que esse pacote de modelos prometia fazer

  • Conversação e atendimento: sustentar chatbots e fluxos de suporte com linguagem mais natural.
  • Resumo e reescrita: condensar textos longos e adaptar tom e formato ao que a pessoa pediu.
  • Geração de conteúdo: criar rascunhos de e-mails e outros textos sob demanda, inclusive conteúdos criativos.
  • Produtividade técnica: ajudar engenheiros de software a escrever código.
  • Criação visual: gerar imagens a partir de instruções do usuário.

Como isso chegaria a empresas e times técnicos

A informação central era que desenvolvedores já tinham acesso a uma versão “grande” do Gemini, mas não à maior variante em desenvolvimento, que seria a mais próxima do nível atribuído ao GPT-4. O plano, naquele momento, era ampliar a distribuição do Gemini no mercado corporativo via Google Cloud, com entrega pelo Vertex AI.

Onde o Google encaixou IA generativa além do chatbot

  • Vertex AI no Google Cloud: caminho para empresas consumirem modelos e montar aplicações com governança e escala. Documentação de modelos no Vertex AI
  • Pesquisa com IA (SGE): em agosto de 2023, o Google expandiu sua experiência de IA generativa na Busca para Índia e Japão, com respostas em texto e elementos visuais, além de resumos. Comunicado oficial do Google
  • Ferramentas corporativas por usuário: no mesmo período, o Google também passou a colocar preço de referência de US$ 30 por usuário por mês para recursos de IA em suíte corporativa, sinalizando monetização no B2B. Cobertura sobre o preço de US$ 30

Exemplo prático de uso, com cara de empresa brasileira

Uma operação de e-commerce pode usar modelos no Vertex AI para ler milhares de mensagens de atendimento, agrupar por tema (entrega, troca, cobrança), gerar um resumo por caso e sugerir respostas padronizadas para o time humano aprovar. O ganho aparece quando o volume cresce, sem precisar dobrar a equipe a cada pico de demanda.

Regra de decisão rápida

  • Se a empresa já está no Google Cloud e quer integrar IA ao fluxo de dados, logs e governança do próprio GCP, a tendência é priorizar Gemini via Vertex AI.
  • Se a prioridade é ecossistema amplo de integrações e uma oferta já muito difundida em múltiplas plataformas, faz sentido comparar com GPT-4 e alternativas equivalentes antes de padronizar.

Gemini vs GPT-4 na prática

Na época, o enquadramento era de corrida por capacidade e distribuição. De um lado, o Google tentando transformar modelos em produto empresarial e em recursos dentro da Busca, do outro, a OpenAI capitalizando a popularidade do GPT-4 e o efeito de rede do ChatGPT.

Ponto Google Gemini (contexto de 2023) GPT-4 (contexto de 2023)
Proposta Família de modelos para chat, geração, resumo, código e imagens Modelo avançado usado em IA conversacional e geração de texto
Acesso inicial Versão inicial liberada para poucas empresas, com variantes maiores em desenvolvimento Disponibilidade já consolidada em produtos e parcerias, conforme oferta da OpenAI
Distribuição corporativa Planejado via Google Cloud Vertex AI Disponível via plataformas e integrações variadas, dependendo do fornecedor
Preço citado no período US$ 30 por usuário/mês para recursos de IA em oferta corporativa do Google Varia por plano e uso, a depender do produto e do contrato

Uma leitura de mercado em três variáveis

  • Tecnologia: qualidade do modelo em tarefas reais, não só em demo.
  • Talento: velocidade de pesquisa e engenharia para entregar melhorias contínuas.
  • Tempo: capacidade de colocar a tecnologia em distribuição, com produto, preço e confiança do comprador.

Referências:


Publicado

em

por