Premiere Pro pode ganhar vídeos de IA externos

A Adobe sinalizou que quer transformar o Premiere Pro em um editor que roda tanto IA própria quanto modelos de parceiros, incluindo geradores de vídeo como o Sora. A ideia é reduzir trabalho manual em tarefas repetitivas, mas sem abrir mão de transparência sobre qual modelo criou cada trecho e de opções voltadas a uso comercial.

O que muda na prática dentro do Premiere Pro

Em 15 de abril de 2024, a Adobe afirmou que estava nos primeiros passos para permitir ferramentas de IA generativa de terceiros no Premiere Pro, ao mesmo tempo em que levaria novos recursos de IA para o fluxo de edição. O foco declarado era automatizar partes chatas do trabalho, sem tirar o editor do controle do timeline. investing.com

Os recursos planejados para esse pacote miravam situações comuns de pós, como completar um trecho de cena com elementos gerados por IA ou eliminar distrações sem a maratona de recorte quadro a quadro. A base desses recursos, segundo a empresa, é o Firefly, já usado pela Adobe em edição de imagem e em suas iniciativas de IA criativa. investing.com

Para organizar o que está em jogo, dá para resumir as promessas em três blocos:

  • Preencher: gerar objetos ou partes faltantes para completar uma cena.
  • Remover: apagar itens indesejados e reconstruir o fundo com IA.
  • Estender: criar frames extras para dar folga a um corte ou transição.

Exemplo prático: em um vídeo curto de produto, um take bom termina cedo demais antes do logo. A ideia do recurso de extensão é gerar alguns frames extras para segurar o plano, depois remover uma sombra ou um objeto que entrou no canto, e, se faltar material de apoio, criar um b-roll sintético só para marcar ritmo enquanto a equipe busca imagens reais. blog.adobe.com

Mais detalhes sobre essa visão de ferramentas generativas no Premiere Pro foram publicados pela própria Adobe no blog oficial. Leia a explicação da Adobe sobre os fluxos de IA no Premiere Pro. blog.adobe.com

Por que a Adobe quer abrir espaço para modelos externos

O ponto mais estratégico do anúncio foi a criação de um caminho para usar, dentro do Premiere Pro, modelos de IA de outras empresas, citando OpenAI, Runway e Pika Labs. Na prática, isso transforma o editor em uma espécie de “tomada” onde diferentes motores podem entrar conforme o tipo de cena e o nível de realismo desejado. investing.com

Na época, a Adobe também descreveu a demonstração do Sora sendo usado no Premiere Pro como um experimento, sem divulgar cronograma de liberação. E, do lado da OpenAI, o Sora havia sido mostrado publicamente, mas ainda sem disponibilidade ampla e sem um prazo claro naquele momento. investing.com

Outro detalhe relevante é o modelo de negócio por trás disso. Deepa Subramaniam, vice-presidente de marketing de produto para apps criativos profissionais na Adobe, disse que a empresa ainda estava definindo como seria a divisão de receita gerada por ferramentas de IA de terceiros usadas na plataforma. investing.com

Uma regra simples ajuda a tomar decisões quando existir escolha entre modelos dentro do mesmo fluxo:

  • Regra: se o conteúdo vai para campanha, cliente ou canal com risco jurídico alto, priorizar modelos descritos como seguros para uso comercial; se a prioridade é explorar estética, prototipar ou criar rascunhos, modelos parceiros podem fazer sentido, desde que o time aceite as condições. investing.com

Essa abordagem de “editor com várias IAs” também conversa com o que a Adobe vinha fazendo no próprio Firefly, ao listar modelos parceiros dentro do ecossistema. Veja a página da Adobe sobre modelos parceiros no Firefly. adobe.com

Segurança jurídica e rótulo de IA no vídeo

A Adobe tenta diferenciar o Firefly com o argumento de uso comercial e controle de dados. Em compromissos públicos, a empresa afirma que não treina o Firefly em conteúdo de clientes e posiciona a família Firefly como “comercialmente segura”. adobe.com

No recorte específico do anúncio de abril de 2024, a promessa de proteção ao usuário aparece como um elemento central: a Adobe afirmou que buscava se destacar por treinar o Firefly em dados nos quais teria direitos e por oferecer indenização contra alegações de copyright, dentro de condições específicas. investing.com

Ao mesmo tempo, abrir a porta para modelos externos exige um “painel de ingredientes”. A própria Adobe disse que os usuários seriam alertados quando não estivessem usando modelos “comercialmente seguros” da empresa e que os vídeos produzidos no Premiere Pro indicariam claramente qual tecnologia de IA foi usada. Isso reduz a chance de um time publicar algo achando que veio do Firefly quando, na verdade, veio de outro modelo com políticas diferentes. investing.com

O recado para concorrentes e para Wall Street

O anúncio foi, ao mesmo tempo, produto e posicionamento. Produto, porque reconhece que modelos de vídeo generativo estavam avançando fora do ecossistema Adobe. Posicionamento, porque coloca o Premiere Pro como o lugar onde o profissional edita e controla, mesmo quando a “matéria-prima” vem de várias IAs. investing.com

No texto da Reuters republicado em 15 de abril de 2024, a estratégia foi citada como resposta a preocupações sobre o impacto de geradores de imagem e vídeo no negócio principal da Adobe, em um momento em que as ações acumulavam queda de cerca de 20% no ano. investing.com

Para entender o movimento, um mini-modelo ajuda a enquadrar o mercado de criação com IA:

  • Tecnologia: quem tem o melhor modelo para um tipo de tomada muda rápido.
  • Talento: o diferencial continua sendo direção, montagem e acabamento, não só geração.
  • Tempo: quem reduz horas de trabalho no timeline vira padrão no estúdio.

Do lado da OpenAI, o panorama também evoluiu com versões mais novas do Sora, mas a disponibilidade e os formatos de acesso variam ao longo do tempo. Para referência, a OpenAI publicou uma página de anúncio do Sora 2. Confira o anúncio do Sora 2 pela OpenAI. openai.com


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