Nos EUA, o uso do ChatGPT entre jovens de 18 a 29 anos cresceu rápido: saiu de 33% em 2023 para 43% em 2024. Dentro da geração Z, o dado mais chamativo é a mesma fatia, 31%, dizendo que usa a ferramenta tanto para trabalho quanto para aprender e para lazer, o que sinaliza um chatbot virando utilitário do dia a dia, não só curiosidade.
O que a pesquisa mostra em números
Os dados vêm de uma pesquisa da Pew Research nos Estados Unidos, e foram repercutidos no Brasil pela Exame. O recorte que mais concentra uso é o de 18 a 29 anos, acima da média geral de adultos.
| Categoria | 2023 | 2024 | Observações |
|---|---|---|---|
| Uso geral do ChatGPT (18 a 29 anos) | 33% | 43% | Alta visível em um ano |
| Uso geral do ChatGPT (adultos) | N/D | 23% | Bem abaixo do grupo jovem |
| Uso do ChatGPT no trabalho (geração Z) | 12% | 31% | Salto forte ano a ano |
| Uso do ChatGPT para aprendizado (geração Z) | N/D | 31% | Empata com trabalho e lazer |
| Uso do ChatGPT para lazer (geração Z) | N/D | 31% | Empata com trabalho e aprendizado |
| Confiança em info eleitoral vinda do ChatGPT | N/D | 2% (muita ou bastante) | Quase 4 em 10 têm pouca ou nenhuma |
Para quem acompanha o tema, vale um detalhe de contexto: a própria Pew publicou, em 25 de junho de 2025, uma atualização mostrando continuidade dessa curva de adoção, com maioria dos adultos abaixo de 30 anos já tendo usado o ChatGPT. Isso ajuda a entender que o movimento não foi pontual. Leia a atualização da Pew.
Trabalho, estudo e lazer em pé de igualdade
Quando o mesmo percentual aparece em três usos diferentes, trabalho, aprender e lazer, a leitura é simples: o ChatGPT vira uma “camada de texto” para várias rotinas. Ele entra onde existe excesso de informação, pouco tempo, e demanda por entregar algo minimamente organizado.
- No trabalho: rascunhos, revisão de texto, estruturação de ideias, resumo de documentos e apoio em tarefas repetitivas de escrita.
- No aprendizado: explicações alternativas, exercícios guiados, exemplos, e ajuda para montar um plano de estudo.
- No lazer: recomendações, roteiros, jogos de perguntas, e exploração de curiosidades com conversa mais natural.
O ponto crítico, especialmente em empresas, não é só “usar ou não usar”. É definir onde o chatbot pode acelerar o fluxo, e onde ele só aumenta risco e retrabalho.
Educação e adoção andam juntas
A pesquisa também indica um efeito de escolaridade: quanto maior o nível de educação formal, maior a chance de ter usado o ChatGPT. Entre pessoas com pós-graduação, 37% relataram uso, com crescimento de 8 pontos percentuais em relação a 2023, segundo os números citados pela Exame.
- Mais “trabalho intelectual”: rotinas com leitura, escrita e síntese ganham mais com IA generativa do que atividades puramente operacionais.
- Mais repertório para perguntar melhor: quem domina o assunto tende a orientar o modelo com mais precisão e identificar erro mais rápido.
- Mais incentivo a experimentar: ambientes acadêmicos e profissionais com cultura de ferramenta nova costumam reduzir barreiras de adoção.
Confiança baixa nas eleições, e isso é um sinal
Em temas políticos, a percepção muda. Perto das eleições presidenciais americanas de novembro de 2024, cerca de 4 em cada 10 pessoas disseram não confiar nas informações eleitorais fornecidas pelo ChatGPT, somando “pouca confiança” e “nenhuma confiança”. Apenas 2% disseram ter muita ou bastante confiança, de acordo com a reportagem da Exame baseada na Pew.
Dois recados práticos aparecem aqui. Primeiro, “parecer convincente” não é sinônimo de estar correto. Segundo, em temas de alto impacto, como eleição, saúde, jurídico ou finanças, a barra de verificação precisa ser outra, com fonte oficial e checagem independente.
Como usar sem virar refém do chatbot
A adoção acelerada pela geração Z faz sentido em um mini-modelo simples, a tríade TTT: Tarefa com muita escrita, Tempo curto para entregar, e Trust (confiança) construída por validação humana. Quando um desses três quebra, o uso precisa mudar de formato.
Exemplo prático no escritório
Um analista júnior precisa responder 15 e-mails parecidos, e ainda transformar uma reunião em ata. O ChatGPT entra para criar um rascunho padrão e um resumo com tópicos, e a pessoa ajusta tom, detalhes e números. O ganho vem de começar com 70% pronto, não de aceitar 100% no automático.
Regra de decisão rápida, a dos 3Cs
- Contexto: o prompt precisa incluir objetivo, público e restrições, para evitar texto genérico.
- Checagem: se a resposta influencia decisão relevante, tudo que for fato deve ser verificado em fonte confiável.
- Confidencialidade: dados sensíveis, informações internas e materiais protegidos não devem ser colados sem política clara da empresa.
Para referência, a matéria da Exame que resumiu os dados está aqui: Quase um terço da geração Z usa o ChatGPT no trabalho. E, para aprofundar padrões de uso em escala, há uma leitura complementar da própria OpenAI: como as pessoas estão usando o ChatGPT. Para conhecer o instituto de pesquisa citado, vale também a página do Pew Research Center.
