Artigo publicado originalmente no Channel360 em 25 de outubro de 2023. Revisado em 2026.
Em outubro de 2023, a Unimed Nacional, então sexta maior operadora de planos de saúde do Brasil, anunciou a migração do seu ERP SAP S/4HANA, até ali instalado em infraestrutura própria, para o modelo RISE with SAP, em nuvem. Este artigo explica o que é esse modelo, por que uma operadora de saúde faz essa mudança, o que o anúncio original informou e como a cooperativa chegou a 2026.
Quem é a Unimed Nacional
Unimed Nacional é a marca comercial da Central Nacional Unimed (CNU), cooperativa que opera planos de saúde de abrangência nacional dentro do Sistema Unimed, formado por centenas de cooperativas médicas locais. Em 2023, o comunicado a descrevia como a sexta maior operadora do país. Seu presidente na época, Luiz Paulo Tostes Coimbra, médico pneumologista, havia assumido o cargo em março de 2021.
Para uma operadora desse porte, o ERP concentra contabilidade, finanças, compras, folha e parte do faturamento, e precisa conversar com os sistemas assistenciais e com as cooperativas parceiras. Qualquer indisponibilidade afeta pagamentos a prestadores e a rede de atendimento, o que explica o peso dado à resiliência no anúncio.
O que é o RISE with SAP
Lançado pela SAP em janeiro de 2021, o RISE with SAP é um pacote por assinatura que reúne o ERP S/4HANA Cloud (edição privada), a infraestrutura de nuvem de um hyperscaler à escolha do cliente (como AWS, Microsoft Azure ou Google Cloud), ferramentas de análise e redesenho de processos e a plataforma de integração e extensão da SAP, tudo sob um único contrato com a SAP. A empresa deixa de operar servidores e banco de dados por conta própria, e passa a consumir o ERP como serviço gerenciado.
Na prática, há três situações típicas de adoção:
- Migração de ECC para S/4HANA aproveitando a mudança de plataforma para ir à nuvem. É o caso mais comum, pressionado pelo fim da manutenção padrão do SAP ECC, previsto para 2027.
- Cliente já em S/4HANA on-premise que apenas troca o modelo de operação, sem reimplantar o ERP. Foi o caso da Unimed Nacional.
- Implantação nova, para empresas que não tinham SAP.
A segunda situação é a de menor risco funcional, porque processos e customizações já existem; o desafio está na migração técnica de dados e na integração com sistemas que continuam fora da nuvem SAP.
O que o anúncio de 2023 informou
Segundo o texto original, a Unimed Nacional já usava o S/4HANA localmente, mas “não utilizavam o ERP em toda a sua capacidade”. O objetivo declarado da migração era aproveitar melhor o banco de dados HANA e obter uma arquitetura escalável. A mudança foi apresentada como parte de um programa de transformação digital iniciado seis anos antes, portanto por volta de 2017, baseado em um modelo de gestão de dados com impacto mínimo nas áreas de negócio.
Os ganhos listados foram: governança centralizada e contrato único com a SAP; suporte de um hyperscaler, para manter a operação em momentos críticos; ampliação da segurança dos acessos; eliminação de processos manuais sem integração; e padronização de processos com redução de retrabalho. O comunicado também dizia que a cooperativa pretendia difundir o modelo RISE pelo ecossistema de cooperativas Unimed; não localizamos informação pública sobre se isso ocorreu.
Duas declarações constavam do original. Fernando Santana, vice-presidente de Indústrias da SAP Brasil, afirmou que “a SAP possui mais de 7.900 clientes de saúde em 94 países” (citação do texto original; número declarado pela SAP). Luiz Paulo Tostes Coimbra, presidente da Unimed Nacional, disse: “Fazer a gestão de dados da maneira mais eficiente possível é um passo importante para alcançarmos a nossa meta de nos tornarmos a maior plataforma de saúde e bem-estar do país em dez anos” (citação do texto original).
O texto não informava valores do contrato, o hyperscaler escolhido, a duração da migração nem o parceiro de implantação. Essas lacunas são comuns em comunicados desse tipo e devem ser consideradas por quem usa o caso como referência.
Por que operadoras de saúde migram o ERP para a nuvem
Além dos argumentos genéricos de custo e escalabilidade, o setor de saúde suplementar tem motivos próprios. As operadoras lidam com dados pessoais sensíveis, sujeitos à LGPD, e com obrigações regulatórias da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o que exige trilhas de auditoria e controles de acesso consistentes. O relacionamento com milhares de prestadores e cooperativas gera alto volume de integrações. E a margem apertada do setor torna atraente trocar investimento em hardware por despesa previsível de assinatura. Em contrapartida, a dependência de um único fornecedor aumenta, e a saída de um contrato RISE é mais complexa do que a de um contrato de licença tradicional.
O que mudou até 2026
A trajetória financeira da cooperativa após o anúncio foi difícil. Segundo dados da ANS divulgados pela imprensa em março de 2026, a Unimed CNU acumulou prejuízo de R$ 1,06 bilhão em 2023 e 2024 (R$ 581,3 milhões apenas em 2024) e voltou ao lucro em 2025, com resultado líquido positivo de R$ 239,3 milhões, receita operacional bruta de R$ 14,1 bilhões e 2,04 milhões de beneficiários. A cooperativa passou a ser descrita como a quinta maior operadora do mercado. Também houve troca de gestão: em 2026, a presidência da Unimed CNU é exercida por Luiz Otávio Fernandes de Andrade; não localizamos a data exata da posse.
Não encontramos comunicação pública da Unimed Nacional ou da SAP sobre os resultados concretos da migração para o RISE with SAP depois de 2023, nem sobre a extensão do modelo às demais cooperativas. A página de imprensa da Unimed Nacional, que lista este artigo entre as matérias sobre a cooperativa, estava inacessível no momento desta revisão. Outros casos de tecnologia no setor de saúde publicados no mesmo período estão no arquivo do Channel360.
Fontes
- Channel360 – Unimed Nacional acelera transformação digital com RISE with SAP (2023)
- Portal ERP – Unimed Nacional acelera transformação digital com RISE with SAP (25/10/2023)
- Unimed Nacional – Imprensa
- SAP – RISE with SAP
- CNN Brasil – Unimed CNU tem lucro de R$ 239,3 milhões em 2025, após dois anos de prejuízo (março de 2026)
- Saúde Business – Luiz Paulo é o novo presidente da Central Nacional Unimed (2021)
- MundoCoop – Presidente da Unimed CNU é reconhecido entre os 100 Mais Influentes da Saúde em 2026
Nota de revisão (2026): texto original (comunicado) reescrito como artigo explicativo; fatos verificados em 16 de setembro de 2026; adicionados explicação do modelo RISE with SAP, contexto regulatório do setor e situação financeira e de gestão da cooperativa até 2026.

