Ilustração: Low-code para reduzir o backlog da TI: o que é e como funciona

Low-code para reduzir o backlog da TI: o que é e como funciona

Artigo publicado originalmente no Channel360 em 25 de novembro de 2021. Revisado em 2026.

Em 2021, a escassez de desenvolvedores no Brasil colocou as plataformas low-code e no-code no radar de quem precisava reduzir a fila de pedidos da TI. Este artigo explica o que é o backlog da TI, por que ele cresce, como as ferramentas de pouco código ajudam a desafogá-lo e o que mudou nesse mercado até 2026, incluindo a trajetória da Zeev, empresa citada no texto original.

O que é o backlog da TI e por que ele cresce

Backlog é a lista de demandas que a área de tecnologia ainda não conseguiu atender: novos sistemas, integrações, automações de processos, ajustes em relatórios, pequenos formulários. Em quase toda empresa essa lista cresce mais rápido do que a capacidade de entrega, porque cada área de negócio gera pedidos e há um único gargalo, a equipe técnica.

O artigo original citava um levantamento da Softex, organização social voltada ao fomento da área de TI, que projetava uma carência de cerca de 408 mil profissionais de tecnologia no Brasil até 2022. A Brasscom, associação das empresas do setor, publicou em dezembro de 2021 um estudo com projeção semelhante: demanda de 797 mil profissionais entre 2021 e 2025, contra cerca de 53 mil pessoas formadas por ano em cursos da área, o que resultaria em um déficit anual de 106 mil vagas não preenchidas.

O texto de 2021 também mencionava uma pesquisa da Salesforce com gestores de TI: 88% relatavam aumento de demanda nos 12 meses anteriores e 96% consideravam a demanda insustentável com programação tradicional. Reproduzimos os números como constavam no artigo original, sem localizar a publicação de origem.

Low-code e no-code: a diferença na prática

As duas abordagens partem da mesma ideia: substituir a escrita de código por uma interface gráfica, com componentes prontos que o usuário arrasta, configura e conecta.

  • No-code: voltado a quem não programa. Formulários, fluxos de aprovação, automações simples e painéis são montados apenas com cliques e configurações. O limite é o que a ferramenta oferece de fábrica.
  • Low-code: reduz o código a um mínimo, mas permite que um desenvolvedor estenda a ferramenta com scripts, integrações via API e regras mais complexas. É a opção quando o processo tem exceções que o no-code puro não cobre.

Em ambos os casos, o ganho não está em eliminar a TI, mas em mudar quem faz o quê. Rafael Bortolini, então Head de Produto da Zeev, resumiu isso no artigo original: “Obviamente, existem tarefas robustas que apenas profissionais capacitados em desenvolvimento conseguem desempenhar. No entanto, para automatizações necessárias em alguns processos, utilizar uma ferramenta que não precisa de conhecimento prévio em tecnologia traz mais velocidade e muito mais retorno” (citação do texto original).

Como o low-code reduz o backlog

O efeito sobre a fila da TI acontece por três caminhos:

  1. Desvio de demandas simples. Uma parte grande do backlog é composta por pedidos pequenos: um formulário de solicitação de férias, um fluxo de aprovação de compras, um cadastro de fornecedores. Quando a própria área de negócio monta isso em uma plataforma governada pela TI, o pedido nunca entra na fila.
  2. Entrega mais rápida do que sobra. Para o que continua com a TI, componentes prontos, conectores e modelagem visual de processos (BPMN) encurtam o tempo entre o pedido e a primeira versão em produção.
  3. Priorização dos desenvolvedores. O texto original citava uma pesquisa da McKinsey que defendia reservar os melhores desenvolvedores para os projetos de maior valor. Low-code é uma forma de tirar da mesa deles o trabalho repetitivo.

Há um custo escondido que o texto de 2021 não abordava: sem governança, o low-code produz “TI paralela”, com dezenas de fluxos criados por áreas diferentes, sem documentação, sem dono e sem controle de acesso. As empresas que colhem resultados costumam definir quem pode publicar processos, quais integrações são permitidas e como os dados são tratados, algo que ganhou peso com a LGPD.

Onde entra a inteligência artificial

Desde 2023, as plataformas de processos passaram a incorporar assistentes baseados em modelos de linguagem: geração de fluxos a partir de uma descrição em texto, classificação automática de documentos anexados, resumo de solicitações e agentes que executam etapas de back-office. Isso amplia o alcance do no-code, porque parte da lógica que antes exigia script pode ser descrita em linguagem natural. Para quem quer entender como conectar esse tipo de modelo a um processo próprio, o artigo sobre a introdução ao uso da API do ChatGPT mostra o princípio básico de uma integração.

A ressalva é a mesma de sempre: o modelo de linguagem sugere, mas a validação de regra de negócio, o tratamento de exceções e a auditoria continuam sendo trabalho humano ou de código determinístico.

O que mudou até 2026

A Zeev, citada em 2021 com cerca de 250 clientes em países como Brasil, Argentina, México, Colômbia, Peru e Bahamas, passou por uma reorganização de marca. Segundo o próprio blog da empresa, a marca Zeev nasceu em 2020 como versão no-code para pequenas e médias empresas do antigo Orquestra BPMS, da SML Brasil; em 2023 a empresa passou a se chamar Zeev by Stoque. Em publicação de 2026, a Stoque informa que permanece como empresa, enquanto Zeev se torna a marca unificada de software, com três produtos: Zeev Platform (automação de processos com IA), Zeev SeAD (secretaria acadêmica) e Zeev Works (operações de crédito e consórcio). A empresa declara mais de 400 mil usuários em mais de 15 setores. Esses números são autodeclarados pela empresa e não foram verificados de forma independente.

No mercado em geral, a projeção da Gartner divulgada em 2021, de que 70% das novas aplicações corporativas usariam low-code ou no-code até 2025, tornou-se referência muito citada; não localizamos uma medição oficial de quanto se confirmou. O que se observa é que os grandes fornecedores de ERP, CRM e nuvem incorporaram construtores low-code aos seus produtos, e a discussão migrou do “se” para o “como governar”.

Quanto ao déficit de profissionais, os estudos citados aqui projetavam o cenário até 2022 e 2025. Até onde apuramos, não há uma atualização equivalente da Softex; o tema segue presente nas publicações da Brasscom.

Fontes

Nota de revisão (2026): texto original reescrito e ampliado; fatos verificados em 16 de setembro de 2026; trajetória da Zeev atualizada com base no blog da empresa; dados da Salesforce e da McKinsey mantidos conforme o original, sem verificação independente.


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Autor

Martin Wipf cuida do conteúdo do chat.com.br para a Gull AG em Zug (Suíça). Ele revisa cada artigo antes da publicação. Como criamos nosso conteúdo