Ilustração: O poder da personalização em serviços financeiros

O poder da personalização em serviços financeiros

Artigo publicado originalmente no Channel360 em 19 de julho de 2024. Revisado em 2026.

O varejo aprendeu a recomendar produtos com base no comportamento de cada cliente; os bancos, não na mesma medida. Esse era o ponto de partida do artigo de opinião “O poder da personalização em serviços financeiros”, assinado por Ander Orcasitas, então vice-presidente regional para Europa Ocidental e América Latina da Dynamic Yield, empresa da Mastercard, e reproduzido pelo Channel360. Este texto explica o argumento, os dados que o sustentam e o que uma instituição financeira precisa organizar antes de personalizar.

Por que o varejo avançou e os bancos ficaram atrás

O artigo original parte de um contraste. No varejo, personalizar é relativamente simples: quem olhou um tênis recebe sugestões de tênis. Em serviços financeiros, o produto é mais abstrato e a decisão, mais pesada. Nas palavras do texto original, “é muito mais fácil incentivar uma pessoa a realizar a compra de um bem material do que a fazer um empréstimo ou adquirir outros produtos bancários”. Ao mesmo tempo, o canal digital já é o principal: o autor cita dados da Febraban segundo os quais 7 em cada 10 transações bancárias no Brasil são feitas por meios digitais, e um levantamento da FGV indicando que o país tem mais de um smartphone por habitante.

O texto também recorre a um relatório da Forrester de 2022: 42% dos clientes bancários consideram as ofertas mais valiosas quando adaptadas às suas necessidades, 38% dizem que os bancos deveriam facilitar a descoberta de produtos e 31% gostariam de mais proatividade no envio de informações relevantes. Não tivemos acesso ao relatório original da Forrester; os números são reproduzidos conforme o artigo.

Cinco perguntas antes de começar

Orcasitas propõe que a instituição responda a cinco perguntas antes de ativar qualquer recomendação:

  1. Quais objetivos quero alcançar?
  2. Quem são os públicos que quero atingir?
  3. Meu feed de dados está otimizado para resultados?
  4. Qual estratégia de recomendação devo usar?
  5. Onde devo colocar essas recomendações?

A ordem importa: sem objetivo e público definidos, a tecnologia apenas automatiza ofertas genéricas.

Segmentar em poucos públicos

A recomendação prática é começar com três ou quatro públicos primários, definidos por um único princípio de segmentação e cobrindo 100% do tráfego. Os exemplos citados para serviços financeiros são o nível de envolvimento (a pessoa só entra para pagar contas ou usa outros serviços?), o estágio no ciclo de vida (cliente em potencial, maduro ou em declínio) e a amplitude de produtos contratados. Cada segmento tem dúvidas e necessidades próprias, e é isso que torna a recomendação relevante.

Metadados: a “fonte da verdade”

O ponto menos glamouroso e mais decisivo é o catálogo. O artigo chama o feed de dados de “fonte da verdade” das recomendações: cada produto precisa estar marcado com metadados corretos, sobretudo a categoria. O exemplo dado é direto: conta corrente, poupança e cartão de crédito interessam a quem tem pouco vínculo com o banco; empréstimos e gestão de patrimônio fazem mais sentido para clientes já consolidados. Organizar isso antes de lançar qualquer campanha evita recomendar o produto certo para a pessoa errada, e o trabalho não termina: produtos mudam e o programa cresce.

Estratégias: chatbots, conteúdo e contato periódico

Entre as táticas sugeridas estão os chatbots, usados para recriar parte da experiência de atendimento presencial e alimentados por uma estratégia de recomendação por afinidade, que combina o que o visitante informa na conversa com produtos, ofertas ou conteúdos educativos. Vale lembrar que, em 2024, muitos desses assistentes já eram construídos sobre modelos de linguagem; para entender o que muda nessa geração de chatbots, veja como o ChatGPT funciona. O artigo também defende um blog com conteúdo educativo, que ajuda o cliente a avançar na jornada e abre espaço para venda cruzada, e o contato periódico com ofertas alinhadas ao momento de vida de cada pessoa.

A conclusão do texto original é que os bancos sabem que precisam conquistar e reter clientes em um mercado com mais concorrentes e consumidores mais exigentes, e que recomendações bem construídas ajudam o cliente “a ganharem a confiança de que estão tomando as decisões financeiras corretas”. Na frase final, o autor afirma que a personalização é “o presente e o futuro de um sistema bancário mais conectado e conveniente aos seus clientes”.

Contexto: Dynamic Yield e Mastercard

A Dynamic Yield, fornecedora de software de personalização, foi adquirida pela Mastercard em 2022, em uma operação destinada a reforçar os serviços de engajamento e fidelidade da bandeira. Em março de 2023, a Mastercard anunciou o Element, que integra dados e serviços da Mastercard ao Experience OS da Dynamic Yield. É nesse contexto que um executivo da empresa escreveu sobre personalização em bancos: trata-se de um artigo de opinião com interesse comercial declarado, o que não invalida o raciocínio, mas convém ter em mente.

O que mudou até 2026

O antigo centro de imprensa da Dynamic Yield, que listava esta matéria entre suas repercussões, hoje redireciona para uma página da Mastercard dedicada ao tema personalização, sinal de que a marca foi absorvida pela comunicação da controladora. Até onde apuramos, não há uma versão atualizada do artigo de Orcasitas nem novos dados públicos da Forrester ou da Febraban vinculados a ele; quem precisar de números recentes deve consultar diretamente a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, publicada anualmente.

Fontes

Nota de revisão (2026): texto original reescrito e ampliado; a versão anterior não identificava o autor nem as fontes dos dados; fatos verificados em 16 de setembro de 2026 a partir da versão integral do artigo de opinião publicada pela TI Inside e dos comunicados da Mastercard; citações marcadas como trechos do texto original.


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Autor

Martin Wipf cuida do conteúdo do chat.com.br para a Gull AG em Zug (Suíça). Ele revisa cada artigo antes da publicação. Como criamos nosso conteúdo