Ilustração: Red Hat em 2022: nuvem híbrida, edge e 5G, e os 43% explicados

Red Hat em 2022: nuvem híbrida, edge e 5G, e os 43% explicados

Artigo publicado originalmente no Channel360 em 7 de novembro de 2022. Revisado em 2026.

Em outubro de 2022, a Red Hat mudou sua sede brasileira para o Birmann 32, o “prédio da baleia” na Avenida Faria Lima, em São Paulo, e usou a inauguração para apresentar suas apostas para 2023: nuvem híbrida, edge computing e cargas de trabalho que aproveitam a velocidade do 5G, tudo sobre código aberto. Este texto separa o que era fato, o que era projeção de consultorias e o que se confirmou, incluindo a pesquisa da própria Red Hat que apontava 43% das empresas com estratégia baseada em mais de uma nuvem.

O novo escritório e o recado sobre trabalho

O espaço de 4.500 m², dividido em dois andares do Birmann 32, foi concebido em torno de áreas flexíveis e colaborativas, dentro do conceito que a empresa chamava de future of work. “Assim como a empresa, nosso espaço foi concebido para maior integração das equipes, com espaços flexíveis, dinâmicos e colaborativos. Afinal, o código é aberto e nosso espaço também”, disse na época Gilson Magalhães, presidente da Red Hat Brasil, segundo o texto original. Em 2022, a companhia informava cerca de 600 funcionários no país, e destacava que sua tecnologia era a base de projetos como o Pix, do Banco Central.

A aposta: nuvem híbrida, edge e 5G

A tese apresentada por Magalhães era que uma nova onda de inovação viria de aplicações rodando na nuvem e processando dados na velocidade do 5G. “Temos vários projetos de infraestrutura open source rodando na nuvem já utilizando 5G”, afirmou. Na prática, isso se traduz em dois conceitos:

  • Nuvem híbrida: combinar data center próprio, nuvens privadas e uma ou mais nuvens públicas sob a mesma camada de gestão, de modo que uma aplicação possa ser movida entre ambientes. É o posicionamento central da Red Hat, cujo produto principal, o OpenShift, é uma plataforma Kubernetes pensada para rodar em qualquer desses ambientes.
  • Edge computing: processar dados perto de onde eles são gerados (fábrica, loja, antena de telecomunicações), em vez de enviá-los a um data center distante. O 5G importa aqui porque a baixa latência só faz diferença se o processamento também estiver próximo.

Thiago Araki, diretor sênior de tecnologia da Red Hat para a América Latina, resumiu no texto original que “as soluções gerenciadas em nuvem aliadas ao open source formam uma combinação poderosa” para adotar tecnologias como inteligência artificial, aprendizado de máquina e edge computing. Como exemplo de serviço gerenciado, a empresa citava o Red Hat OpenShift Data Science, ambiente para desenvolver, treinar e testar modelos de machine learning em nuvem pública antes de colocá-los em produção.

Os 43%: o que a pesquisa da Red Hat realmente mostrou

O dado mais reproduzido do artigo original, inclusive por outros veículos, é que “quase metade (43%) das corporações” esperava contar com uma estratégia de nuvem híbrida em 2022, com crescimento de 5 pontos em relação a 2021. A fonte é o Red Hat Global Tech Outlook 2022, pesquisa com clientes realizada em 2021 e divulgada na virada de 2021 para 2022. Vale precisar o número, porque ele costuma ser citado de forma simplificada:

  • 30% dos entrevistados descreveram sua estratégia como nuvem híbrida, alta de 3 pontos sobre o ano anterior, a opção mais escolhida.
  • Somando os que responderam multicloud, termo que muitas empresas usam como sinônimo, o total com estratégia baseada em mais de uma nuvem chegou a 43%, 5 pontos acima de 2021.
  • 18% ainda estavam definindo a estratégia e 5% não tinham nenhuma.

Ou seja: os 43% não são “empresas com nuvem híbrida”, mas empresas cuja estratégia envolvia mais de um provedor de nuvem, híbrida ou multicloud. A tendência apontada, no entanto, estava correta.

Projeções de consultorias citadas em 2022

O artigo original reunia várias previsões de terceiros, que reproduzimos aqui como estavam, com a ressalva de que não as verificamos nas publicações originais:

  • Gartner: até 2023, pelo menos 40% das cargas de trabalho corporativas em serviços de infraestrutura e plataforma em nuvem; até 2024, 75% das organizações com ferramentas para dados distribuídos em multicloud e 65% das aplicações legadas usando serviços em nuvem em algum grau de modernização; até 2025, 60% das organizações com serviços de nuvem dedicados por exigências de desempenho, segurança e conformidade.
  • Deloitte: mercado de nuvem para a indústria podendo chegar a US$ 640 bilhões em cinco anos.
  • Allied Market Research: funções como serviço (FaaS) movimentando US$ 24 bilhões até 2026.

Boris Kuszka, diretor de arquitetos de solução da Red Hat, defendia no texto que soluções abertas “saem na frente proporcionando escalabilidade, flexibilidade, agilidade, transparência e segurança a um custo acessível”. É uma afirmação de posicionamento comercial, não um dado de pesquisa, e deve ser lida como tal.

O que mudou até 2026

Liderança. Em 7 de outubro de 2024, a Red Hat nomeou Gilson Magalhães vice-presidente e gerente-geral para a América Latina, sucedendo Paulo Bonucci. Magalhães dirigia a operação brasileira desde 2013.

Produto. O Red Hat OpenShift Data Science, citado em 2022, foi renomeado Red Hat OpenShift AI e passou a cobrir também o serviço de modelos de IA generativa, refletindo a mudança de foco do mercado de machine learning tradicional para grandes modelos de linguagem.

Pix como vitrine. A relação com o Banco Central se manteve como o principal caso brasileiro da empresa. O estudo de caso publicado pela Red Hat descreve a arquitetura do Pix sobre OpenShift, Red Hat AMQ e Ansible Automation Platform. No Red Hat Summit de maio de 2026, o CEO Matt Hicks citou o Pix como exemplo de resiliência em escala, mencionando o recorde de 297,4 milhões de transações em um único dia, e apresentou a infraestrutura como base para o que chamou de IA de missão crítica.

A aposta no 5G. O 5G avançou no Brasil desde 2022, mas a “onda gigante” de aplicações corporativas dependentes da rede móvel, prevista por Magalhães, foi mais gradual do que o discurso de inauguração sugeria. O tema que de fato dominou os anos seguintes, na Red Hat e no mercado, foi a IA generativa, praticamente ausente do artigo de 2022. Até onde apuramos, a empresa não divulgou publicamente o número atualizado de funcionários no Brasil. Outros textos do acervo sobre nuvem e infraestrutura estão no arquivo Channel360.

Fontes

Nota de revisão (2026): texto original reescrito e ampliado; fatos verificados em 16 de setembro de 2026; grafia do edifício corrigida para Birmann 32; o dado de 43% foi conferido na fonte primária (Red Hat Global Tech Outlook 2022) e explicado; projeções de Gartner, Deloitte e Allied Market Research reproduzidas conforme o original, sem verificação independente; acrescentadas a nomeação de Gilson Magalhães (2024), a renomeação do OpenShift AI e o Red Hat Summit 2026.


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Autor

Martin Wipf cuida do conteúdo do chat.com.br para a Gull AG em Zug (Suíça). Ele revisa cada artigo antes da publicação. Como criamos nosso conteúdo