Ilustração: Low-code: por que as empresas estão de olho nesta tendência

Low-code: por que as empresas estão de olho nesta tendência

Artigo publicado originalmente no Channel360 em 8 de outubro de 2023. Revisado em 2026.

Low-code é a abordagem em que aplicações são montadas com componentes visuais, formulários e regras configuráveis, escrevendo pouco ou nenhum código. A promessa é entregar sistemas mais rápido e permitir que áreas de negócio participem do desenvolvimento. Este artigo explica o que está por trás da tendência, o que dizem os números da Gartner, onde essas plataformas já são usadas e quais cuidados a adoção exige.

O que é low-code (e o que é no-code)

Uma plataforma low-code oferece um ambiente de construção visual: arrastar campos para criar um formulário, desenhar um fluxo de aprovação, conectar a aplicação a um banco de dados ou a um serviço externo por meio de conectores prontos. Código convencional entra apenas onde a lógica é específica demais para os blocos disponíveis. No-code vai um passo além e elimina a programação por completo, o que restringe a complexidade do que pode ser feito, mas amplia o público capaz de usar a ferramenta.

A Gartner chama de “tecnólogos de negócio” (business technologists) os profissionais fora da TI que constroem soluções tecnológicas para a própria área. É esse público, somado à escassez e ao custo de desenvolvedores, que sustenta o crescimento do segmento.

Os números por trás da tendência

Em dezembro de 2022, a Gartner projetou que o mercado mundial de tecnologias de desenvolvimento low-code somaria US$ 26,9 bilhões em 2023, alta de 19,6% sobre os US$ 22,5 bilhões de 2022. O maior componente seriam as plataformas de aplicação low-code (LCAP), com quase US$ 10 bilhões e crescimento de 25%. A consultoria também previu que, até 2026, pelo menos 80% dos usuários de ferramentas low-code estariam fora dos departamentos formais de TI, contra 60% em 2021.

Outra projeção da Gartner, publicada em 2021 e muito citada desde então, afirmava que até 2025 cerca de 70% das novas aplicações desenvolvidas por empresas usariam tecnologias low-code ou no-code, ante menos de 25% em 2020. São estimativas, não medições, mas indicam a direção que os grandes fornecedores seguiram.

Onde as plataformas já são utilizadas

A adoção deixou de ser experimental. Alguns exemplos de uso recorrentes, citados pelos próprios fornecedores e por consultorias:

  • Processos internos: fluxos de aprovação de despesas, solicitações de férias, onboarding de funcionários e requisições de compra, frequentemente construídos por RH, financeiro ou operações em ferramentas de BPM e workflow como o Zeev, plataforma brasileira que também publica conteúdo sobre o tema.
  • Marketing e vendas: páginas de captação, formulários integrados ao CRM e automações de campanha, sem depender da fila de demandas da TI.
  • Aplicações departamentais: controle de estoque, agendamento, inspeções em campo e painéis de acompanhamento, casos típicos de suítes como Microsoft Power Platform, Zoho Creator, OutSystems e Mendix.
  • Integração: conectar sistemas legados a serviços em nuvem e a APIs externas, inclusive de inteligência artificial. Quem quiser ver como uma dessas integrações se dá na prática pode consultar a introdução ao uso da API do ChatGPT.

O ganho mais citado é a velocidade: um protótipo funcional em dias, em vez de meses de especificação e desenvolvimento. Vem daí o interesse por métricas como o índice de velocidade de desenvolvimento, que tenta medir quanto tempo separa uma necessidade de negócio de uma solução em produção.

Colaboração entre negócio e TI

Um efeito colateral positivo é a aproximação entre quem entende o problema e quem entende a tecnologia. Em um projeto low-code bem conduzido, a área de negócio desenha o processo e testa a solução enquanto a TI cuida de identidade, permissões, integrações e conformidade. O resultado tende a ser mais aderente ao uso real do que um sistema especificado em documento e entregue meses depois.

Os riscos que a facilidade esconde

A mesma autonomia que acelera pode gerar problemas conhecidos:

  • Shadow IT: aplicações críticas criadas sem conhecimento da TI, sem backup, sem dono definido e sem documentação.
  • Dados pessoais: formulários que coletam informações de clientes e funcionários precisam respeitar a LGPD, com base legal, retenção e controle de acesso definidos.
  • Dependência do fornecedor: a lógica construída em uma plataforma raramente é portável para outra; convém avaliar exportação de dados e custos de licença a longo prazo.
  • Limites técnicos: quando a aplicação cresce, exige desempenho ou integrações incomuns, o low-code pode virar gargalo e precisar de código tradicional.

A resposta recomendada por analistas é governança: um catálogo das aplicações existentes, padrões mínimos de segurança, revisão da TI para o que toca dados sensíveis e treinamento para quem vai construir.

O que mudou até 2026

Desde a publicação da matéria, o movimento mais visível foi a incorporação de assistentes de IA generativa às plataformas: os principais fornecedores passaram a oferecer geração de telas, fórmulas e fluxos a partir de descrições em linguagem natural, o que reduz ainda mais a barreira de entrada. A Gartner continua publicando análises de previsão para o segmento até 2026, mas os valores atualizados são de acesso restrito a assinantes e, por isso, não os reproduzimos aqui. Até onde apuramos, não há dados públicos consolidados sobre a adoção de low-code especificamente no Brasil.

Fontes

Nota de revisão (2026): texto original reescrito e ampliado; fatos verificados em 16 de setembro de 2026 (projeções da Gartner de 2021 e 2022, contexto das páginas que citam esta matéria); acrescentadas seções sobre casos de uso, riscos e governança.


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Autor

Martin Wipf cuida do conteúdo do chat.com.br para a Gull AG em Zug (Suíça). Ele revisa cada artigo antes da publicação. Como criamos nosso conteúdo