Ilustração: Cloud-first: o que é e os 5 passos da Infor para priorizar a nuvem

Cloud-first: o que é e os 5 passos da Infor para priorizar a nuvem

Artigo publicado originalmente no Channel360 em 23 de maio de 2023. Revisado em 2026.

“Cloud-first” é a orientação de considerar a nuvem como opção padrão para qualquer sistema novo ou renovado, e de justificar exceções, não o contrário. Em 2023, Waldir Bertolino, então country manager da Infor no Brasil, listou cinco passos para empresas que queriam adotar essa prioridade, com foco menos na tecnologia e mais nas pessoas. Este texto explica o conceito, revisita os cinco passos e mostra o que os números de mercado dizem hoje.

O que significa cloud-first

Uma estratégia cloud-first não exige mover tudo para a nuvem de uma vez. Ela estabelece uma regra de decisão: diante de um novo projeto, a primeira pergunta passa a ser “por que não na nuvem?”. Sistemas legados podem continuar no data center próprio enquanto fizer sentido, mas o caminho de renovação aponta para serviços contratados sob demanda, sejam eles infraestrutura (IaaS), plataforma (PaaS) ou software (SaaS).

No artigo original, Bertolino argumentava que essa abordagem entrega o que os gestores buscavam em um ano de juros altos e crescimento fraco: análise de dados em tempo real, flexibilidade para escalar e a possibilidade de combinar fornecedores em vez de depender de um único provedor ou integrador. Ele destacava a manufatura como setor em que o uso eficiente de grandes volumes de dados faz diferença operacional, um recado coerente com o negócio da Infor, que vende ERP em nuvem para indústrias.

Como contexto, o autor citava a pesquisa “Agenda 2022”, da Deloitte, segundo a qual 37% dos entrevistados já haviam concluído a migração de quase todos os seus dados para a nuvem e 52% estavam em algum estágio dessa jornada. Não localizamos a publicação original da Deloitte para conferir esses percentuais; eles são reproduzidos aqui conforme o texto de 2023.

Os cinco passos, revisitados

O que chama atenção na lista de Bertolino é que quatro dos cinco passos tratam de pessoas e organização, não de arquitetura técnica. A ordem e os títulos abaixo seguem o original; os comentários são desta revisão.

  1. Alinhe os benefícios à estratégia de longo prazo. Atualizações tecnológicas precisam servir ao plano de negócios, não o contrário. O autor recomendava explorar o modelo multicloud, combinando nuvens públicas, privadas ou híbridas conforme cada área da empresa. Na prática, isso significa começar pelo resultado esperado (custo, velocidade de lançamento, resiliência) e só depois escolher provedores.
  2. Elabore uma estratégia de gestão da mudança. A migração afeta a rotina de todos os colaboradores, e resistência é uma reação previsível. Um plano de gestão da mudança coordena a transição de forma menos prejudicial para as equipes.
  3. Coloque todas as equipes na mesma página. Time interno, fornecedor de ERP e equipe de implementação precisam trabalhar sincronizados, com metas, expectativas e marcos definidos.
  4. Mantenha um diálogo transparente com a equipe. Responder com clareza por quê, quem, onde, quando e como a migração ocorrerá, e dar atualizações regulares, reduz a ansiedade durante o processo.
  5. Revise o plano de negócios para extrair o máximo da nuvem. A equipe de TI precisa aprender a explorar o que a nuvem oferece. O autor sugeria um programa de treinamento contínuo para a equipe atual e para futuras contratações.

Lidos em 2026, os passos continuam válidos, mas ganharam um complemento que o artigo de 2023 mal mencionava: o controle de custos. A elasticidade da nuvem, se não for acompanhada de governança financeira (a prática conhecida como FinOps), pode gerar contas maiores do que a operação anterior no data center. Um sexto passo razoável seria definir desde o início quem responde pelo consumo e como ele será medido.

Cloud-first não é cloud-only

Vale distinguir a prioridade pela nuvem de uma migração total. Há cargas de trabalho que, por latência, regulação, volume de dados ou custo previsível, permanecem melhor em ambiente próprio ou em nuvem privada. O próprio autor apontava a abordagem multicloud e híbrida como parte da estratégia. O que a orientação cloud-first muda é o ônus da prova: manter algo fora da nuvem passa a exigir justificativa explícita.

O que mudou até 2026

A tendência descrita em 2023 se confirmou nos números. Em novembro de 2024, o Gartner projetou que os gastos globais de usuários finais com nuvem pública chegariam a US$ 723,4 bilhões em 2025, alta de 21,5% sobre os US$ 595,7 bilhões de 2024, e atribuiu parte da aceleração à demanda por recursos de inteligência artificial. A mesma consultoria destacou o crescimento de ambientes distribuídos, híbridos e multicloud, em linha com o que Bertolino defendia.

Dois temas ganharam peso desde então. O primeiro é a IA generativa: treinar e executar modelos exige capacidade computacional que poucas empresas mantêm internamente, o que reforçou a nuvem como padrão para esse tipo de projeto. O segundo é a soberania e a localização de dados, com clientes de setores regulados exigindo regiões de nuvem no país e contratos mais detalhados sobre onde as informações ficam.

Sobre a Infor, a página de imprensa da empresa em português ainda lista o artigo entre seus conteúdos e redireciona para a versão original publicada no Channel360. Até onde apuramos, não há uma versão atualizada do texto pelo autor. Outros artigos do acervo sobre nuvem e gestão de TI estão reunidos no arquivo Channel360.

Fontes

Nota de revisão (2026): texto original reescrito e ampliado; fatos verificados em 16 de setembro de 2026; os cinco passos foram mantidos na ordem e no sentido do autor; percentuais da pesquisa Deloitte “Agenda 2022” reproduzidos conforme o original, sem verificação independente; acrescentados dados do Gartner (2024) e observações sobre FinOps, IA generativa e localização de dados.


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Autor

Martin Wipf cuida do conteúdo do chat.com.br para a Gull AG em Zug (Suíça). Ele revisa cada artigo antes da publicação. Como criamos nosso conteúdo