Artigo publicado originalmente no Channel360 em 18 de novembro de 2022. Revisado em 2026.
A pesquisa Red Hat Global Tech Outlook 2023 ouviu 1.703 líderes de TI em todo o mundo e apontou a segurança como principal prioridade de investimento para 2023: 44% dos entrevistados a colocaram entre as três maiores prioridades de financiamento. Este artigo revisa o que o levantamento mostrou, como ele foi feito e o que as edições seguintes indicaram.
O que é o Global Tech Outlook
O Global Tech Outlook é um levantamento anual da Red Hat, empresa de software de código aberto controlada pela IBM, sobre prioridades de investimento em tecnologia. A edição de 2023, a nona da série, entrevistou 1.703 tomadores de decisão de TI entre maio e junho de 2022. Mais da metade trabalhava em organizações com faturamento anual acima de US$ 100 milhões, o que significa que os resultados refletem principalmente a realidade de empresas médias e grandes.
Dois pontos metodológicos importam para ler os números. Primeiro, as perguntas sobre “prioridade de financiamento” pediam que o respondente indicasse suas três principais prioridades, de modo que os percentuais não somam 100%. Segundo, a própria Red Hat destacou uma mudança na edição: na pergunta sobre transformação digital, os entrevistados passaram a escolher uma única meta principal, em vez de várias. Isso afeta a comparação com anos anteriores.
Os principais resultados
- Segurança como prioridade de investimento em TI: 44% dos respondentes a incluíram no top 3, oito pontos acima da opção seguinte, infraestrutura em nuvem. Dentro de segurança, os itens mais citados foram segurança de rede (40%) e segurança em nuvem (38%).
- Segurança versus inovação como foco da transformação digital: segurança aparece com 20% (alta de 3 pontos) e inovação com 19% (queda de 5 pontos). A Red Hat tratou o resultado como um empate técnico e atribuiu a mudança tanto ao aumento de ataques a corporações em 2022 quanto à alteração metodológica mencionada acima.
- Orçamento de segurança: cerca de três em cada quatro entrevistados afirmaram ter aumentado os investimentos em segurança de acesso a aplicações. A matéria original de 2022 traduziu esse dado como 78% que “aumentaram um pouco” ou “aumentaram bastante”.
- Prioridades fora da TI: estratégia de transformação digital (37%), treinamento em habilidades técnicas (37%), treinamento em habilidades de pessoas e processos (30%) e contratação e retenção de profissionais de TI e desenvolvedores (28%).
- Maior barreira: pelo segundo ano seguido, a falta de talentos e de habilidades foi apontada como o principal obstáculo à transformação digital. A matéria original citava que 74% dos entrevistados situavam o maior obstáculo na ausência de estratégia ou na carência de habilidades e treinamento; não conseguimos localizar esse percentual exato no sumário público da Red Hat, por isso o mantemos como dado da reportagem de 2022.
Por que segurança subiu ao topo naquele momento
O ano de 2022 concentrou fatores que explicam a mudança de prioridade. Ataques de ransomware e vazamentos de grande porte ganharam destaque, a adoção acelerada de nuvem e trabalho remoto durante a pandemia ampliou a superfície de ataque e, no Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) já estava em vigor com sanções aplicáveis desde agosto de 2021. Não é coincidência que o levantamento tenha sido citado, por exemplo, em conteúdos sobre o impacto da LGPD em escritórios de contabilidade: a preocupação com segurança deixou de ser um tema apenas da área técnica e passou a ser uma questão de conformidade para qualquer negócio que trata dados de terceiros.
Há também um efeito de maturidade. Em pesquisas anteriores da série, a prioridade número um era “inovação” ou “transformação digital” em sentido amplo. À medida que empresas colocaram mais processos em produção na nuvem, proteger o que já existe passou a competir com construir o novo.
Como usar esse tipo de pesquisa
Levantamentos patrocinados por fornecedores são úteis para identificar tendências, mas exigem leitura crítica. A amostra reflete a base de contatos e o perfil de clientes da empresa que encomenda a pesquisa; a formulação das perguntas pode mudar de um ano para outro, como a própria Red Hat reconheceu; e os resultados globais não distinguem a realidade brasileira, para a qual a edição de 2023 não publicou recortes regionais acessíveis. Ao citar a pesquisa em um planejamento ou em uma justificativa de orçamento, vale sempre indicar o tamanho da amostra, o período de coleta e a natureza “top 3” dos percentuais.
O que mudou até 2026
A edição seguinte, publicada como Red Hat Global Tech Trends 2024 (décima da série), coletou respostas de mais de 700 líderes de TI entre agosto e setembro de 2023, com critério de elegibilidade ampliado para empresas a partir de US$ 10 milhões de receita. A segurança continuou em primeiro lugar: 50% a colocaram entre as três principais prioridades de financiamento, alta de cinco pontos. Os focos mais citados dentro de segurança passaram a ser inteligência de ameaças, detecção e resposta e segurança em nuvem. A gestão de nuvem também subiu, para 59% no top 3 das prioridades de gestão de TI, e “processos manuais” apareceu como principal barreira à transformação digital.
Até onde apuramos, a Red Hat não publicou edições do Global Tech Trends para 2025 ou 2026 nos mesmos moldes; a empresa passou a divulgar outros relatórios, como o Product Security Risk Report. Para acompanhar levantamentos de mercado semelhantes publicados pelo Channel360 ao longo dos anos, consulte o arquivo do Channel360.
Fontes
- Channel360: Red Hat Global Tech Outlook: cibersegurança será prioridade em 2023 (2022)
- Red Hat: Global Customer Tech Outlook 2023 (blog oficial, em inglês)
- Red Hat: Global Tech Trends 2024
- Domínio Sistemas: O impacto da LGPD nos escritórios de contabilidade (cita a pesquisa)
Nota de revisão (2026): texto original reescrito e ampliado; fatos verificados em 16 de setembro de 2026 no sumário oficial da Red Hat; percentuais de 78% e 74% mantidos como dados da reportagem de 2022, com a ressalva indicada; acrescentados os resultados da edição 2024 e a nota metodológica.

